A decisão do senador Omar Aziz (PSD) de pedir investigações sobre medidas administrativas adotadas pelo Governo do Amazonas gerou questionamentos sobre a coerência de seu discurso político. Isso porque os mecanismos criticados pelo parlamentar, como remanejamentos orçamentários e decretos emergenciais, também são utilizados com frequência pelo Governo Federal, comandado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aliado político de Omar.
Para críticos do senador, a cobrança parece ter endereço certo. Enquanto endurece o discurso contra a atual gestão estadual, Omar evita fazer os mesmos questionamentos sobre atos semelhantes praticados pelo governo federal, que também recorre a instrumentos administrativos previstos na legislação para enfrentar desafios econômicos e financeiros.
A postura tem sido interpretada por adversários como uma demonstração de seletividade política. Eles argumentam que a fiscalização dos recursos públicos deve ocorrer em todas as esferas de governo, sem distinção partidária ou eleitoral.
Outro ponto levantado é que práticas hoje criticadas pelo senador também foram adotadas durante sua passagem pelo Governo do Amazonas. Por isso, opositores afirmam que o debate deveria ser conduzido com equilíbrio e sem transformar procedimentos administrativos comuns em ferramenta de disputa política.
Nos bastidores, a avaliação é que o embate marca o início de uma nova fase da corrida eleitoral de 2026. Com a aproximação das eleições, o discurso dos principais grupos políticos tende a ficar mais duro, e as cobranças feitas por Omar Aziz já são vistas como parte da estratégia para enfraquecer adversários e ampliar espaço no debate público.
A principal crítica feita por aliados do governo estadual é direta: se a preocupação é com transparência e fiscalização, a cobrança deveria valer para todos os governos, inclusive para os aliados políticos do senador em Brasília.

