Governador Roberto Cidade convoca comitê de emergência e solicita mais apoio federal para combater queimadas

Reunião vai definir novas medidas de combate aos incêndios, enquanto o Corpo de Bombeiros solicita quatro aeronaves de grande porte ao Governo Federal

O governador do Amazonas, Roberto Cidade, convocou, em regime de urgência, o Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais (Copec) para definir novas medidas de combate aos incêndios florestais, reforçar a fiscalização e ampliar a proteção à população diante do agravamento das queimadas e dos efeitos da fumaça no estado. A convocação ocorre em meio ao aumento das ocorrências e à necessidade de fortalecer as ações de resposta durante o período de estiagem.

“Há 10 dias, nossa população sofre com a fumaça provocada pelos incêndios florestais, muitos deles criminosos, que ameaçam a saúde e a vida de milhares de famílias. Desde que assumi o governo, estamos trabalhando para enfrentar essa crise. Lançamos o Amazonas Mais Verde, investimos em equipamentos, viaturas e tecnologia, reforçamos o Corpo de Bombeiros e ampliamos as bases permanentes nos municípios do interior”, afirmou o governador.

O governador destacou ainda a mobilização de mais de mil bombeiros e brigadistas, a contratação de 153 brigadistas florestais e a intensificação das operações de fiscalização e combate aos crimes ambientais. Entre as medidas adotadas estão a proibição do uso do fogo em todo o Amazonas por 120 dias, o monitoramento da qualidade do ar e a ampliação da força-tarefa com apoio do Governo Federal e aeronaves de combate aos incêndios.

“A situação continua grave, por isso estou convocando, em caráter de urgência, o Comitê de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais para definir novas medidas de combate, fiscalização e proteção à população. Não vamos recuar. Quem provocar incêndios criminosos precisa responder com todo o rigor da lei. Não descansaremos enquanto nossa população estiver ameaçada. Proteger vidas e defender o Amazonas são nossas prioridades absolutas”, reforçou o governador.

Solicitação de reforço aéreo

Como parte das medidas para ampliar a capacidade de combate aos incêndios, o comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), coronel QOBM Orleilso Muniz, encaminhou, neste sábado (17/10), o Ofício nº 3581/2026 – GAB CMT G/CBMAM, solicitando ao Governo Federal apoio com aeronaves de grande porte.

O documento solicita a disponibilização de quatro aeronaves de combate a incêndios, de grande capacidade, para o período de 25 de outubro a 25 de dezembro de 2026. O pedido também inclui reforço aéreo para o transporte de tropas aos municípios e o reconhecimento das áreas atingidas.

Segundo o comandante-geral, as aeronaves atualmente empregadas nas operações possuem limitações diante da extensão das áreas afetadas, das grandes distâncias e das dificuldades de acesso aos focos de incêndio.

“Estamos enfrentando uma situação que exige o emprego de todos os recursos disponíveis. As grandes distâncias, a dificuldade de acesso a determinadas áreas e as limitações operacionais das aeronaves utilizadas atualmente tornam necessário o reforço com equipamentos de maior capacidade, para ampliar o volume de água lançado e dar mais agilidade às operações”, destacou o comandante-geral.

Balanço das ocorrências

Entre 1º de junho e 16 de outubro, o CBMAM contabilizou 3.710 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais e atuou no combate a 22.557 focos de incêndio em todo o estado. Desse total, 4.598 foram registrados na capital e 17.959 no interior. Cerca de mil profissionais, entre bombeiros militares e brigadistas, participam das operações.

Operações de combate e fiscalização

O Governo do Amazonas mantém diferentes frentes de atuação para conter os incêndios, prevenir novas ocorrências e responsabilizar os envolvidos em crimes ambientais.
Iniciada em maio de 2026, a Operação Amazonas Mais Verde atua no combate imediato aos focos de incêndio em 33 municípios.

Entre junho e agosto, as ações de educação ambiental alcançaram mais de 43 mil pessoas. A operação também ampliou a capacidade de resposta com a entrega de 20 novas viaturas, incluindo 17 picapes equipadas com kits de combate a incêndio, e 453 equipamentos multimissão.

A Operação Tamoiotatá, iniciada em 23 de fevereiro, antecipou as ações de campo para o período de estiagem e abrange 13 municípios. O trabalho reúne equipes do CBMAM, responsáveis pelo combate aos incêndios, e do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), que fiscaliza o uso irregular do fogo.

O balanço da operação registra R$ 235,9 milhões em multas aplicadas, 504 autos de infração, 296 termos de embargo, mais de 34,8 mil hectares embargados e duas prisões. Ao longo das dez fases, 412 servidores foram mobilizados.

Já a Operação Alerta Fogo, coordenada pelo Ipaam, intensifica a fiscalização do uso ilegal do fogo em municípios da Região Metropolitana de Manaus e de outras áreas do estado. As equipes utilizam drones, dados de monitoramento, imagens de satélite e viaturas com acesso à internet via Starlink para identificar focos de calor e direcionar as ações.

Ampliação da estrutura do Corpo de Bombeiros

A estrutura operacional do CBMAM também foi ampliada. Entre maio de 2025 e maio de 2026, o número de municípios com bases permanentes do Corpo de Bombeiros passou de 11 para 25.

O efetivo da corporação aumentou de 692 militares, em 2019, para 1.651 em 2026, após a realização de concurso público, o primeiro em 11 anos. O reforço inclui viaturas de combate a incêndio com capacidade para 10 mil litros de água, equipamentos, transferência de militares e atuação de brigadistas em parceria com as prefeituras.

Além disso, 153 brigadistas florestais foram contratados por meio do Programa Floresta em Pé para atuar na prevenção, no monitoramento e no combate aos incêndios, sob coordenação técnico-operacional do CBMAM e supervisão institucional da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema).

Emergência e articulação institucional

No dia 10 de outubro, o Governo do Amazonas publicou o Decreto nº 55.751, que declarou situação de emergência por 180 dias nas áreas dos municípios afetados pelos incêndios florestais. A medida considera o agravamento das condições climáticas associado ao fenômeno El Niño, com previsão de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas.

O decreto permite a adoção de medidas emergenciais para reduzir os impactos ambientais, sociais e à saúde da população, além de fortalecer a atuação integrada dos órgãos estaduais, coordenada pelo Copec.

O governo também mantém articulação com o Governo Federal e as prefeituras para alinhar estratégias de prevenção e combate às queimadas e enfrentar os efeitos da estiagem. Em reunião realizada no dia 11 de outubro, o governador Roberto Cidade e o vice-governador Serafim Corrêa participaram de discussões com os ministros João Paulo Capobianco, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e Waldez Góes, da Integração e do Desenvolvimento Regional.

Na ocasião, o CBMAM apresentou o panorama dos incêndios e das ações de combate. Representantes federais também sobrevoaram áreas atingidas para avaliar os impactos e acompanhar a atuação das quatro aeronaves de combate a incêndios que já operavam na região de Autazes.

Investigação de crimes ambientais

As investigações sobre possíveis crimes ambientais também integram as medidas de enfrentamento. De janeiro a outubro de 2026, a Delegacia Especializada em Meio Ambiente e Urbanismo (Dema) registrou 567 procedimentos e Verificações de Procedência das Informações (VPIs) relacionados a possíveis crimes ambientais, incluindo incêndios florestais.
Entre os registros estão 90 ocorrências de incêndios em florestas ou outras formas de vegetação, 66 de incêndios em geral, 151 de desmatamento e 14 de poluição atmosférica.

A Dema dará continuidade às investigações para identificar os responsáveis e adotar as medidas legais cabíveis. A delegacia também solicitará ao Ipaam informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR), com o objetivo de identificar os proprietários dos imóveis nas áreas afetadas e apurar possíveis responsabilidades pelos incêndios.

O Governo do Amazonas mantém as operações de combate, fiscalização e monitoramento, com atuação integrada dos órgãos estaduais e articulação com as autoridades federais e municipais, diante da gravidade dos incêndios e dos riscos à saúde e à segurança da população.

Compartilhar este Artigo
Deixe um Comentário