BARCELOS – “Nesses oito anos, mandamos quase R$ 10 milhões para Barcelos. Independentemente de o prefeito me apoiar ou não, essa é a minha obrigação como político. Quem tem que me apoiar é o povo do Amazonas, o povo de Barcelos”, declarou o deputado federal e pré-candidato ao Senado Capitão Alberto Neto (PL-AM), durante visita ao município para prestar contas do mandato e participar de encontros com lideranças e moradores da Capital do Tucunaré-Açu.
O parlamentar explicou que os recursos destinados ao município, provenientes de emendas parlamentares individuais e de bancada, foram aplicados principalmente no fortalecimento da saúde, incluindo serviços de Média e Alta Complexidade (MAC).
“Essa é a nossa obrigação. Eu quero mostrar para vocês o nosso trabalho. Não estamos aqui a passeio. Estamos prestando contas do que fizemos em Brasília e dos recursos que destinamos para cada município. Fizemos muito na Câmara Federal. Imaginem o que poderemos fazer no Senado”, afirmou.
Turismo e biodiversidade
“Barcelos fisgou meu coração e também o coração da Tropa da Mudança”, destacou Alberto Neto ao ressaltar a importância do município para a biodiversidade amazônica, a pesca esportiva e o ecoturismo. Segundo ele, as riquezas naturais do Amazonas precisam se transformar em oportunidades para quem vive na região.
“O mundo conhece Barcelos pelo tucunaré e pela pesca esportiva. Aqui também é a Terra do Peixe Ornamental, do nosso cardinal e do acará-disco. Olhem a nossa biodiversidade. O Amazonas é rico demais, minha gente, e nós vamos transformar essa riqueza em oportunidades para o nosso povo”, disse.
O parlamentar afirmou que chegou o momento de Barcelos e dos municípios do interior explorarem todo o potencial turístico da região.
“Barcelos tem um potencial turístico extraordinário, que precisa ser convertido em emprego e renda para a população. Quando o turismo cresce, todos ganham: o mototaxista, o piloteiro, os comerciantes, as pousadas, as lojas de pesca, os restaurantes e tantos outros trabalhadores. Precisamos investir em infraestrutura e criar condições para receber cada vez mais visitantes”, ressaltou.
Demarcações de terras indígenas
Durante a agenda, também ganhou destaque a discussão sobre a aprovação, pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), do relatório de delimitação da Terra Indígena Baixo Rio Negro e Rio Caurés, que prevê uma área de aproximadamente 777 mil hectares no município.
Capitão Alberto Neto defendeu que decisões dessa dimensão sejam amplamente debatidas com as populações diretamente afetadas, considerando os impactos sociais e econômicos para Barcelos e toda a região.
“O Amazonas já possui mais de 27% do seu território ocupado por terras indígenas e mais de 23% por áreas de preservação. Além disso, preservamos cerca de 97% da nossa floresta. O que a população precisa neste momento é de educação de qualidade, saneamento básico, água potável, emprego e oportunidades para os jovens. Não precisamos de novas demarcações feitas sem considerar a realidade de quem vive aqui”, afirmou.
A líder indígena Ysani Kalapalo também se manifestou sobre o tema e afirmou que a ampliação das demarcações pode restringir a autonomia das comunidades indígenas.
“Estive ouvindo moradores da região, comunidades indígenas e ribeirinhas. Todas essas pessoas serão afetadas por novas demarcações. Quando uma terra indígena é demarcada, o indígena perde liberdade para produzir, empreender e desenvolver sua comunidade. Tudo passa a depender de autorização da Funai, do Ibama e de outros órgãos. Na prática, muitos acabam se tornando reféns dessas estruturas”, declarou.
Ao encerrar a visita, Alberto Neto defendeu políticas públicas que promovam desenvolvimento para indígenas e ribeirinhos, com investimentos em saúde, educação, geração de renda e aproveitamento sustentável das riquezas da região.
“A gente precisa garantir saúde de qualidade, educação e oportunidades para que os povos indígenas possam desenvolver suas comunidades com responsabilidade e sustentabilidade. Somos nós que preservamos a floresta. Não vamos aceitar que pessoas que não vivem aqui e não conhecem a realidade da Amazônia decidam o futuro da nossa região”, concluiu.
Foto: Sabrina Tenório / Thiago

