Apesar de ter o apoio oficial da Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV, o senador Omar Aziz (PSD), candidato ao Governo do Amazonas, evita dar destaque ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua campanha em Manaus. Nas peças publicitárias e nos materiais espalhados pelas ruas, a imagem do petista aparece de forma discreta ou simplesmente não é utilizada.
A estratégia pode estar relacionada ao cenário eleitoral da capital amazonense, onde o bolsonarismo mantém forte presença. No segundo turno das eleições de 2022, Jair Bolsonaro recebeu 61,28% dos votos válidos em Manaus, enquanto Lula obteve 38,72%.
Pesquisas divulgadas em 2026 indicam que esse quadro ainda representa um desafio para o presidente. Em levantamento do Instituto Action, Flávio Bolsonaro apareceu com 43% das intenções de voto na capital, contra 38% de Lula. Já o Ipen registrou empate técnico: 35,3% para Flávio e 34,5% para o atual presidente.
A rejeição também pesa nessa equação. Segundo pesquisa do Instituto Pontual, 49,6% dos entrevistados em Manaus afirmaram que não votariam em Lula, enquanto Flávio Bolsonaro registrou rejeição de 36,8%.
Diante desses números, Omar parece adotar uma estratégia calculada: mantém nos bastidores o apoio político dos partidos ligados ao presidente, mas reduz a exposição da imagem de Lula na comunicação voltada ao maior colégio eleitoral do Amazonas.
Não há rompimento entre os dois. A aliança continua oficialmente mantida, porém com uma diferença clara entre o apoio partidário e aquilo que é apresentado ao eleitor nas ruas de Manaus.
Na prática, Omar tenta aproveitar a estrutura política da federação petista sem carregar integralmente o desgaste eleitoral de Lula na capital. O presidente permanece importante para a composição da candidatura, mas perde espaço na vitrine da campanha.

