O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas (SINJOR/AM) e a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) divulgaram, nesta sexta-feira (18), uma nota pública em repúdio ao que classificam como uma tentativa de violação do sigilo da fonte no Amazonas.
A manifestação ocorre após o Ofício nº 174/2026/PRE/AM, da Procuradoria Regional Eleitoral no Amazonas, requisitar ao portal Redação Amazônia e a outros veículos informações e esclarecimentos relacionados a publicações jornalísticas sobre a campanha eleitoral.
Segundo a nota das entidades, a requisição teve origem em questionamento apresentado pela assessoria jurídica da campanha da candidata ao Governo do Amazonas, Maria do Carmo (PL), envolvendo reportagens que mencionaram uma relação entre a candidata e Rodrigo César Campelo Soares, conhecido como RC Soares, preso pela Polícia Civil com mais de duas toneladas de drogas.
O SINJOR/AM e a FENAJ destacam que, conforme informações divulgadas pela Polícia Civil, materiais de campanha da candidata foram encontrados no local da prisão. A nota também afirma que jornalistas localizaram publicações em redes sociais nas quais RC Soares se apresentava como coordenador da campanha de Maria do Carmo.
Para as duas entidades, a medida adotada pela PRE/AM representa uma ameaça à liberdade de imprensa e ao sigilo da fonte. O posicionamento cita o artigo 5º, inciso XIV, da Constituição Federal, que assegura o acesso à informação e resguarda o sigilo da fonte quando necessário ao exercício profissional.
As entidades defendem que veículos de comunicação não podem ser constrangidos a revelar suas fontes em razão de uma publicação jornalística desagradar a candidatos ou grupos políticos. Também ressaltam a importância da independência editorial durante o período eleitoral, quando o acesso da população à informação assume papel central no debate público.
Na parte final da manifestação, SINJOR/AM e FENAJ alertam que iniciativas desse tipo podem provocar um efeito intimidatório sobre jornalistas e empresas de comunicação, com possíveis impactos sobre a liberdade de imprensa e o direito à informação.
“O sigilo da fonte não é privilégio de jornalistas: é garantia constitucional da sociedade”, afirmam as entidades na nota divulgada nesta sexta-feira.

