Omar Aziz e o Maior Escândalo da História da UEA: Uma Cidade Universitária que Virou Ruína

Prometida como um dos maiores projetos educacionais do Amazonas, a Cidade Universitária da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), localizada em Iranduba, a cerca de 27 quilômetros de Manaus, permanece abandonada e em ruínas. O projeto representa o maior desperdício de dinheiro público da história da instituição e o nome por trás desse escândalo é o do senador Omar Aziz.

Em 2012, durante a gestão do então governador Omar Aziz (PSD), o projeto da Cidade Universitária foi anunciado como um marco para a educação superior no Amazonas. A obra, orçada em R$ 300 milhões, previa a criação de um grande campus integrado, com capacidade para atender milhares de estudantes da UEA em cursos das mais diversas áreas.

O projeto previa ainda a construção de 2 mil apartamentos, cada um com capacidade para dois estudantes, com foco em atender jovens vindos do interior do estado, uma promessa que acendeu a esperança de uma geração inteira de amazonenses.

O que se seguiu, porém, foi uma sequência de descaso, irregularidades e abandono. Até a paralisação em 2017, mais de R$ 124 milhões já haviam sido investidos. Naquele ano, o Ministério Público Federal (MPF) apontou riscos ambientais e ausência de estudos técnicos adequados, o que levou a uma decisão judicial de suspensão das obras. Em 2018, após vistoria, o próprio TCE confirmou oficialmente o abandono do empreendimento.

A estrada de acesso ao complexo, com 7 km de extensão, construída entre 2013 e 2015, custou R$ 44,5 milhões aos cofres públicos e hoje leva a nada além de escombros e mata fechada.

O rombo financeiro é colossal. A obra foi orçada em R$ 300 milhões em 2012, mas o valor total necessário para sua conclusão era estimado em R$ 700 milhões em 2018.

As irregularidades não pararam por aí. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) identificou superfaturamento, falhas graves e irregularidades na execução da obra e determinou a devolução de mais de R$ 1,7 milhão aos cofres públicos. Entre os responsabilizados estão a então secretária de Estado de Infraestrutura, Waldivia Ferreira Alencar, e a empresa EDEC Engenharia, Construção e Comércio Ltda, condenadas solidariamente.

Hoje, os R$ 147 milhões investidos são visíveis apenas na estrada de acesso e nos esqueletos de concreto que se deterioram com o tempo. Para os órgãos de fiscalização, a obra é um caso clássico de como a pressa política em iniciar grandes empreendimentos, atropelando ritos legais, pode levar ao prejuízo total do erário.

O pior de tudo? Omar Aziz, que recentemente declarou ser pré-candidato ao governo do Amazonas nas eleições de 2026, chegou a sinalizar que, caso eleito, pretende retomar a obra , a mesma que ele mesmo deixou inacabada. A retórica reacende críticas e indignação por parte da população e de especialistas, que lembram que o mesmo projeto já gerou um enorme prejuízo aos cofres públicos durante o período em que Aziz foi governador do estado.

O sonho de milhares de estudantes universitários amazonenses foi enterrado sob concreto abandonado, processos judiciais e promessas vazias. A Cidade Universitária da UEA não é apenas um elefante branco — é o símbolo mais doloroso do que acontece quando a ambição política supera o compromisso com o povo.

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