Maria do Carmo promete salários em dia para servidores públicos, mas tem passivo milionário em dívidas trabalhistas pela Fametro

Candidata garantiu ser uma boa pagadora, mas já teve dívida de mais de R$ 12 milhões de IPTU revelada. Negou a existência da crise climática e mostrou despreparo para administrar o estado

A candidata ao Governo do Amazonas pelo PL, Maria do Carmo Seffair, afirmou nesta terça-feira (15/9), durante sabatina promovida pelo G6 (composto pelo portais Amazonas Atual, Único, Marcos Santos, Mário Adolfo, BNC e Blog do Hiel) que pretende manter o pagamento dos servidores públicos em dia e criticou governos que, segundo ela, utilizam o cumprimento de obrigações trabalhistas como instrumento de negociação política.

O discurso, porém, chama atenção diante do histórico trabalhista envolvendo empresas e instituições ligadas ao grupo Fametro. Maria do Carmo é reitora desta universidade particular.

Levantamentos em processos judiciais apontam para um volume milionário de ações trabalhistas envolvendo empresas do grupo, o que coloca em xeque a distância entre a promessa feita na sabatina e a realidade enfrentada por trabalhadores ligados ao conglomerado.

Dívida de mais de R$ 12 milhões em IPTU

Apesar de exaltar rigor com suas obrigações, a prática da empresária revela uma realidade bem diferente. A Fametro devia mais de R$ 12 milhões em IPTU. A contradição veio à tona nas últimas eleições para a prefeitura de Manaus, quando Renato Jr (Avante) desmascarou Maria do Carmo (então no partido Novo) durante o confronto de vices.

Após a denúncia, reportagens locais confirmaram no site da Prefeitura de Manaus que o débito, atrelado ao CNPJ da empresa da candidata, acumulava mais de sete anos de impostos não pagos.
Negacionista, mesmo o estado enfrentado seca e cheias extremas, candidata não acredita em crise climática

A candidata relativizou a crise climática. Ao comentar os períodos cada vez mais severos de seca e cheia na Amazônia, e do aumento nunca antes visto das temperaturas e incêndios, a empresária afirmou que esses fenômenos “sempre aconteceram”.

“Sou dessas que eu gosto de pegar a palavra. Quando eu digo que estou com uma crise renal, eu estou com um problema fora do padrão de funcionamento dos rins. Estou com uma pedra, estou com alguma coisa estranha. Quando eu falo que estou com uma crise gástrica, estou com algo fora do padrão. Então, quando eu falo de crise climática, eu estou falando de algo fora do padrão. Eu entendo que hoje, aqui na nossa região, nós não temos uma crise, porque nós não temos absolutamente nada fora do padrão”, disse Maria do Carmo.

A declaração também contrasta com estudos científicos que apontam justamente para o aumento da frequência e da intensidade de eventos climáticos na Amazônia, como secas mais severas, incêndios e alterações no regime de chuvas, o que impacta diretamente a vida dos mais pobres.

“Quem é que não sabe? Eu sou amazonense, nasci, me criei aqui, vendo seca e cheia. E, mais recentemente, esse fenômeno das queimadas, que são monitoráveis”, declarou Maria do Carmo.

Vale lembrar que o Amazonas é um dos estados mais afetados pelos extremos do clima, com populações isoladas, comunidades sem acesso a água, encarecimento do transporte e dos alimentos e crise no acesso a serviços básicos.

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