Juíza se declara suspeita e adia análise de ação que investiga David Almeida por suspeita de compra de votos; relembre o caso

A ação da Justiça Eleitoral que apura supostas irregularidades nas eleições municipais de 2024 em Manaus teve um novo desdobramento. A juíza responsável pelo processo se declarou suspeita para atuar no caso, o que provocou o adiamento da análise dos pedidos feitos pela Polícia Federal. O inquérito investiga uma suposta estrutura de compra de votos que teria atuado durante a campanha à reeleição do então prefeito David Almeida e envolve também o vice-prefeito Renato Júnior.

A investigação da Polícia Federal aponta que, ao longo das diligências, foram realizadas prisões em flagrante, apreensões de dinheiro em espécie, listas de presença, aparelhos celulares, além de oitivas de testemunhas e interrogatórios de investigados.

Entre os nomes citados está Gabriel Alexandre da Silva Lima, genro de David Almeida, apontado pela PF como interlocutor frequente junto a integrantes de uma igreja. Segundo o inquérito, ele aparece em conversas relacionadas à organização de reuniões, mobilização eleitoral, apoio político e entrega de valores.

No último dia 22 de julho, a Polícia Federal solicitou à Justiça Eleitoral que David Almeida fosse ouvido no inquérito. De acordo com o pedido, os investigadores pretendem esclarecer qual era a atuação de Gabriel Alexandre na campanha de 2024, o grau de autonomia que ele exercia junto às lideranças religiosas e comunitárias e se o então prefeito tinha conhecimento das tratativas investigadas.

A própria PF ressalta, contudo, que até o momento não foram produzidos elementos diretos que demonstrem a participação pessoal de David Almeida nas reuniões investigadas, na autorização de repasses financeiros, na distribuição de dinheiro ou nas negociações identificadas durante a investigação. Ainda assim, os investigadores entendem que o depoimento do ex-prefeito é considerado importante para o avanço das apurações.

Relembre o caso:

A investigação começou na véspera do segundo turno das eleições municipais de 2024, após a Polícia Federal receber uma denúncia acompanhada de uma mensagem atribuída à direção de uma igreja, orientando pastores que votavam em Manaus a comparecerem a um imóvel no bairro Monte das Oliveiras, na Zona Norte da capital.

Ao chegar ao local, policiais federais encontraram uma mochila e uma sacola com diversos envelopes contendo R$ 200 em espécie. Conforme depoimentos colhidos pela investigação, o grupo informou que havia recebido R$ 38 mil para serem distribuídos naquela manhã.

Durante a operação, a PF apreendeu mais de R$ 21 mil em dinheiro e quatro aparelhos celulares. Segundo os relatos constantes no inquérito, os valores encontrados fariam parte dos R$ 38 mil que teriam sido entregues por pessoas ligadas à campanha de David Almeida, sendo o pastor Eliezer Souza apontado como responsável por levar o dinheiro ao local.

Na ocasião, foram presos em flagrante os dirigentes religiosos Flaviano Paes Negreiros e Werter Monteiro Oliveira, ex-presidente e vice-presidente da instituição. Ambos pagaram fiança de R$ 15 mil e passaram a responder ao processo em liberdade.

Perícia nos celulares:

Dos quatro celulares apreendidos, dois foram devolvidos após a perícia não encontrar elementos relevantes. Os outros permaneceram sob análise da Polícia Federal.

O laudo pericial, anexado ao processo meses depois, identificou mensagens e áudios trocados entre pastores investigados e Gabriel Alexandre da Silva Lima. Entre os materiais analisados, a PF também encontrou fotografias de reuniões políticas.

Segundo informações constantes na investigação, uma das imagens mostra uma pessoa descrita no laudo apenas como “palestrando”. De acordo com fonte ouvida pela reportagem da Rede Amazônica, o homem seria César Marques, presidente do Agir no Amazonas, que também aparece em outra fotografia ao lado de Gabriel Alexandre e dos pastores investigados.

A mesma fonte afirmou que César Marques participou de uma reunião para falar sobre política e pedir votos.

Com a declaração de suspeição da magistrada responsável pelo caso, a tramitação da ação deverá ser redistribuída para outro juiz, que ficará encarregado de decidir sobre os próximos pedidos da Polícia Federal e dar continuidade às investigações.

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