O pedido público de desculpas feito por Flávio Bolsonaro à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o convite para que ela participasse da campanha repercutiram no meio político como um gesto de conciliação e reconhecimento da importância da união dentro do Partido Liberal (PL).
No Amazonas, porém, a postura da pré-candidata ao Governo, Maria do Carmo, tem seguido um caminho diferente. Mesmo após sucessivos desgastes internos, ela ainda não fez um pronunciamento público reconhecendo a necessidade de recompor a relação com lideranças do partido ou buscando reunir os principais nomes da legenda em torno de seu projeto.
Nos últimos meses, o PL no Amazonas registrou uma série de baixas. O deputado estadual Delegado Péricles rompeu politicamente com a pré-candidata. Também se afastaram de sua pré-campanha os deputados estaduais Cabo Maciel e Débora Menezes, além do presidente do PL em Coari, Zé Henrique, que declarou apoio a outro projeto político. Outro nome que deixou a base foi o presidente da Câmara Municipal de Parintins, vereador Cabo Linhares, também filiado ao PL.
As divergências se intensificaram após declarações atribuídas à pré-candidata de que filiados que não apoiassem sua candidatura ao Governo poderiam sofrer consequências dentro da legenda. Apesar da repercussão do episódio, até o momento não houve um gesto público de pacificação ou um chamado às lideranças que se afastaram para reconstruir a unidade partidária.
Enquanto Flávio Bolsonaro optou por reconhecer divergências e buscar fortalecer seu grupo por meio do diálogo, o cenário no Amazonas continua marcado por divisões internas. Nos bastidores, integrantes do PL avaliam que a capacidade de reunir deputados, prefeitos, vereadores e dirigentes partidários será determinante para a competitividade da legenda nas eleições de 2026.
Para analistas políticos, campanhas majoritárias exigem não apenas apoio popular, mas também articulação política e capacidade de manter coeso o próprio partido. Nesse contexto, a ausência de um movimento de reconciliação por parte de Maria do Carmo mantém em evidência o debate sobre o futuro do PL no Amazonas.

