Caso RC Soares: aliado de Maria do Carmo já foi preso com fuzil, e pressão por explicações aumenta

Homem que se apresentava como coordenador da candidata já havia sido preso em 2019, após a polícia encontrar um fuzil escondido em um Corolla; Maria nega conhecê-lo, mas registros nas redes sociais aumentam a pressão por explicações

A prisão de Rodrigo César Campelo Soares, conhecido como “RC Soares”, durante a operação que apreendeu aproximadamente 2,5 toneladas de skunk em Manaus, trouxe à tona outro episódio policial envolvendo seu nome.

Em setembro de 2019, Rodrigo foi preso em flagrante após policiais encontrarem um fuzil AR-15, calibre 5,56, e 46 munições intactas escondidos no para-choque traseiro de um Toyota Corolla. Segundo a Polícia Civil, o armamento seria utilizado em um assalto a uma agência bancária de Manaus.

O caso foi divulgado pelo portal A Crítica em 3 de setembro daquele ano. Na ocasião, Rodrigo tinha 29 anos, era identificado pelo apelido de “Loirinho” e foi preso ao lado do advogado João Carlos Pinto de Araújo e do motorista Einar Valter Cruz Obando.

Conforme a reportagem, o fuzil estava dentro de um saco plástico, amarrado com arames e parafusado ao veículo. A abordagem ocorreu em um lava-jato que, segundo a publicação, pertencia a Rodrigo.

O então delegado Demetrius Queiroz informou que a Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações havia recebido uma denúncia de que o automóvel sairia de Manacapuru transportando a arma para um assalto a banco na capital.

Os três presos negaram envolvimento com o suposto plano. Rodrigo afirmou que apenas receberia o automóvel para realizar uma lavagem. A reportagem consultada não informou qual foi o desfecho judicial posterior do caso.

Sete anos depois, RC Soares volta ao noticiário policial, desta vez em uma investigação relacionada à apreensão de aproximadamente 2,5 toneladas de drogas. A nova prisão também provocou repercussões políticas porque Rodrigo se apresentava publicamente, nas redes sociais, como coordenador da campanha de Maria do Carmo, candidata ao Governo do Amazonas pelo PL.

Maria do Carmo negou qualquer ligação com o investigado. A candidata declarou que não conhecia Rodrigo e que ele nunca trabalhou em sua campanha. A versão, contudo, passou a ser questionada após a circulação de registros publicados nas próprias redes sociais.

Em uma das fotografias, divulgada no perfil de Maria do Carmo, a candidata aparece ao lado de RC Soares. Outros registros mostram Ana Marcela, esposa de Rodrigo, participando de atividades políticas e posando com a candidata. Ela também mantinha em seu perfil um destaque dedicado a Maria do Carmo, com publicações feitas nos meses de maio, junho e agosto.

As imagens, por si sós, não comprovam vínculo formal ou participação em atividades criminosas. Entretanto, entram em choque com a declaração de que a candidata sequer conhecia Rodrigo e ampliam a cobrança por esclarecimentos objetivos.

Se RC Soares não integrava oficialmente a campanha, por que se apresentava como coordenador? Em que circunstâncias foi fotografado ao lado da candidata? Qual era o papel de sua esposa nas atividades políticas registradas nas redes sociais? E quem autorizava a presença dos dois nesses eventos?

Diante do histórico revelado e das imagens preservadas pela internet, uma simples negativa já não encerra o assunto. Maria do Carmo precisa explicar, de maneira clara, qual era a verdadeira relação de sua campanha com RC Soares e por que os registros públicos contradizem a versão apresentada até agora.

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