A postura adotada pela pré-candidata ao Governo do Amazonas, Maria do Carmo (PL), tem chamado a atenção de observadores do cenário político estadual e levantado questionamentos sobre a estratégia da campanha.
Embora se apresente como um nome identificado com o campo conservador e com o eleitorado bolsonarista, as publicações recentes da pré-candidata nas redes sociais não trazem, de forma nominal, críticas ao senador Omar Aziz (PSD), um dos principais adversários na disputa pelo Governo do Estado e aliado político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Omar também se destacou nacionalmente por sua atuação como presidente da CPI da Covid, tornando-se um dos principais críticos do então presidente Jair Bolsonaro durante aquele período.
Uma análise das publicações feita pelo analista político, Bryan Dolzane no perfil oficial de Maria do Carmo no Instagram mostra que seus vídeos e discursos enfatizam temas como valores, princípios e críticas genéricas à situação política, mas sem citar diretamente Omar Aziz pelo nome ou direcionar ataques políticos ao senador.
O cenário desperta um debate político: seria apenas uma estratégia de comunicação para evitar a polarização direta ou haveria um alinhamento político nos bastidores?
A pergunta ganha relevância porque, em diversos estados brasileiros, candidatos ligados à direita têm adotado uma postura de enfrentamento aberto a adversários identificados com o campo político do presidente Lula. No Amazonas, entretanto, essa dinâmica tem sido percebida de forma diferente por parte dos analistas e eleitores.
Sem afirmar qualquer acordo ou entendimento entre os grupos políticos, o contraste entre o discurso ideológico e a ausência de críticas nominais ao principal adversário levanta um questionamento legítimo no ambiente político: por que uma pré-candidata que busca o voto do eleitor conservador evita confrontar diretamente um dos principais representantes da esquerda e aliado de Lula no estado?
Até o momento, não há manifestação pública da campanha de Maria do Carmo explicando essa estratégia de comunicação. O espaço permanece aberto para que a pré-candidata esclareça se a opção faz parte apenas de uma estratégia eleitoral ou se existe outro motivo para a ausência de confrontos diretos com Omar Aziz.

