Poucos dias após a greve que paralisou 100% da frota de ônibus de Manaus, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário e Urbano Coletivo de Manaus e Amazonas (STTRM), Givancir Oliveira, utilizou uma nova conta nas redes sociais para convocar motoristas, cobradores e demais trabalhadores da categoria a participarem da convenção do Avante, partido do prefeito David Almeida.
Na publicação, Givancir convida os rodoviários para o evento realizado nesta quarta-feira (23), às 19h, na Alameda Alphaville. No texto, ele afirma que “quem está na labuta todo santo dia sabe o valor de quem entende a nossa realidade” e pede que a categoria compareça em peso para “mostrar a força da massa trabalhadora rodoviária de Manaus”.

A postagem gerou repercussão nas redes sociais. Entre os comentários, um internauta escreveu: “Logo vi que essa greve tinha um motivo”, em crítica à paralisação e à convocação para o evento político.

A publicação também reacendeu questionamentos sobre os motivos da greve que deixou milhares de passageiros sem transporte na capital amazonense.
Outro ponto que chama atenção está em uma manifestação apresentada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) à Justiça do Trabalho. No documento, a entidade afirma que o sistema enfrenta um passivo de R$ 190.432.855,35 referente a subsídios de responsabilidade do Município de Manaus.
Na mesma peça processual, o Sinetram sustenta que os atrasos salariais decorreriam do não repasse desses subsídios municipais, afirmando que o equilíbrio financeiro do sistema depende diretamente desses recursos.

O documento também aponta que a diferença entre o custo do transporte coletivo e a tarifa paga pelos usuários deve ser coberta pelo Município de Manaus, conforme a legislação aplicável.
Diante desse cenário, surgem questionamentos sobre a divergência entre o que foi defendido no processo judicial e as declarações feitas durante a greve. Enquanto a manifestação apresentada à Justiça atribui a crise financeira ao atraso nos repasses do Município, durante a paralisação representantes do sindicato fizeram declarações públicas apontando responsabilidade do Governo do Amazonas.
O Portal Regional AM solicitou posicionamento ao Sinetram e ao Sindicato dos Rodoviários sobre a diferença entre os argumentos apresentados na Justiça e as declarações públicas durante a greve, além da convocação para a convenção do Avante. Até o fechamento desta matéria, não houve resposta.

