Brasil – O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) protocolou, nesta quinta-feira (28), um ofício à Presidência da Câmara dos Deputados solicitando autorização para exercer seu mandato a partir dos Estados Unidos, onde está desde março.
Segundo ele, sua permanência no exterior se deve a uma suposta “perseguição política” e à “chantagem” de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), sem citar nomes. Eduardo afirma que o Brasil vive um “regime de exceção” e que não retornou ao país por motivos de segurança.

Ele pediu ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que viabilize mecanismos técnicos e jurídicos para garantir sua participação remota nas atividades legislativas.
No documento, publicado em suas redes sociais, o deputado lembrou que, durante a pandemia da Covid-19, a Câmara autorizou o trabalho remoto dos parlamentares.
Para ele, o atual cenário político seria ainda mais grave. “Não se pode admitir que o que foi assegurado em tempos de crise sanitária deixe de sê-lo em um momento de crise institucional ainda mais profunda”, escreveu.
Eduardo sustenta que não renunciou ao mandato e que continua atuando no campo da “diplomacia parlamentar” junto a autoridades internacionais.
O parlamentar deixou o Brasil no fim de fevereiro e, em março, pediu licença de 120 dias, que expirou em 20 de julho. Desde então, passou a acumular faltas não justificadas. Ele diz ter viajado levando “apenas uma pequena mala”, em caráter privado, mas decidiu permanecer nos EUA após notícias de que sua atuação internacional estaria sendo monitorada.
A permanência no exterior coincide com sua inclusão, ao lado do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), entre os indiciados pela Polícia Federal no inquérito sobre a tentativa de golpe de Estado.
A investigação aponta que Eduardo teria atuado nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras e buscar apoio internacional contra decisões do Judiciário.