Discurso de um lado, milhões do outro: Maria do Carmo ataca PT e fundo eleitoral, mas recebe recursos públicos

Instituição comandada pela candidata foi beneficiada com quase R$ 197 milhões por meio de programas federais; campanha recebeu ainda R$ 4,5 milhões do fundo eleitoral

O discurso adotado por Maria do Carmo Seffair (PL) voltou a provocar questionamentos sobre a diferença entre suas declarações públicas e suas decisões empresariais e políticas. Embora afirme repudiar o Partido dos Trabalhadores e já tenha criticado o uso de recursos públicos em campanhas, a candidata ao Governo do Amazonas está ligada a uma instituição beneficiada por quase R$ 197 milhões em programas federais e aceitou R$ 4,5 milhões do fundo eleitoral para financiar sua candidatura.

Como sócia-administradora do Instituto Metropolitano de Ensino (IME/Fametro), Maria do Carmo esteve à frente de uma gestão que contabilizou R$ 196,13 milhões provenientes do Governo Federal.

Somente em 2015, durante o governo da então presidente Dilma Rousseff, o IME registrou R$ 9,11 milhões em pagamentos relacionados ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

No mesmo ano, a instituição foi beneficiada com R$ 9,91 milhões em isenções tributárias vinculadas ao Programa Universidade para Todos (ProUni). Desse total, R$ 7,28 milhões correspondem ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e R$ 2,63 milhões à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

Já durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os incentivos fiscais destinados à instituição chegaram a R$ 25,69 milhões. Dados atribuídos à Controladoria-Geral da União (CGU) apontam que, entre 2015 e 2023, as renúncias de IRPJ e CSLL em favor do instituto ultrapassaram R$ 105 milhões.

Crítica ao fundo eleitoral ficou no passado

A contradição também aparece no financiamento da campanha eleitoral. Em 2024, quando ainda integrava o partido Novo, Maria do Carmo criticou publicamente o uso do fundo partidário durante entrevista ao canal Real Time1 Play.

Na ocasião, declarou ser contrária à utilização desses recursos, embora tenha reconhecido que seria difícil disputar uma eleição sem dinheiro público.

Agora, na corrida pelo Governo do Amazonas em 2026, o posicionamento mudou. Segundo informações disponíveis no sistema DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a direção estadual do PL destinou R$ 4,5 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha à candidatura da empresária.

Até o momento, Maria do Carmo não anunciou que pretende devolver os recursos. O episódio reforça os questionamentos sobre a distância entre o discurso apresentado aos eleitores e as escolhas adotadas durante a campanha.

Fametro acumula reclamações de consumidores

Além dos recursos públicos recebidos, a instituição comandada por Maria do Carmo também enfrenta críticas de alunos e consumidores. No site Reclame Aqui, a Fametro aparece como “não recomendada” e registra nota média 4 nos últimos seis meses.

De acordo com os indicadores apresentados pela plataforma, apenas 35,3% das reclamações publicadas pelos consumidores foram solucionadas. Os números ampliam a pressão para que a candidata explique não apenas suas contradições políticas, mas também os problemas relatados por clientes da instituição que administra.

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