Maria do Carmo vai à Justiça para impedir que protesto de mães atípicas volte às redes

A candidata ao Governo do Amazonas Maria do Carmo Seffair ingressou na Justiça Eleitoral para impedir que seja republicado um vídeo no qual mães atípicas protestam contra ela e defendem a continuidade dos atendimentos destinados a crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

A gravação foi compartilhada nos perfis oficiais do governador e candidato à reeleição Roberto Cidade no Instagram e no Facebook. Conforme reconhece a própria petição apresentada por Maria do Carmo, a publicação foi retirada do ar algumas horas depois de sua divulgação.

Mesmo com o vídeo já indisponível, a candidata solicitou uma medida liminar para proibir Roberto Cidade de publicar, republicar, impulsionar, patrocinar, endossar, comentar ou divulgar novamente o conteúdo em qualquer plataforma.

O pedido também alcança reproduções integrais ou parciais que mantenham a mesma mensagem ou utilizem o mesmo material audiovisual. Maria do Carmo requer ainda a aplicação de multa diária em caso de descumprimento.

O protesto foi registrado em vídeo e ganhou repercussão nas redes sociais. Agora, em vez de responder diretamente aos questionamentos apresentados pelas famílias, Maria do Carmo recorreu novamente à Justiça para impedir que a gravação volte a ser divulgada.

A sequência das medidas aumentou a insatisfação das mães: primeiro, publicações relacionadas aos CAICs-TEA e aos mutirões de atendimento foram levadas ao debate judicial; depois, o vídeo com a reação das famílias tornou-se alvo de um pedido para que não seja republicado.

No vídeo, as mães criticam a candidata e relatam as dificuldades enfrentadas para conseguir consultas com neuropediatras. Elas também cobram que os serviços destinados aos filhos sejam preservados, independentemente da disputa eleitoral.

As mães atípicas afirmam que não estão participando de uma disputa partidária, mas defendendo o direito dos filhos ao atendimento especializado. São mulheres que convivem diariamente com filas, dificuldades de acesso à saúde e a busca constante por tratamento, dignidade e qualidade de vida para suas crianças.

A defesa de Maria do Carmo sustenta que a publicação divulgou informações falsas e descontextualizadas sobre o objetivo da ação anterior. Segundo os advogados, a medida não buscava interromper os atendimentos, mas questionar o uso político-promocional de serviços públicos durante o período eleitoral.

Além da proibição de uma nova divulgação, Maria do Carmo pede direito de resposta nos mesmos veículos, espaços, formatos e duração utilizados na publicação original.

Diante da repercussão, Maria do Carmo e sua coligação precisam esclarecer à população por que decidiram levar à Justiça conteúdos relacionados aos mutirões e, posteriormente, solicitar que o vídeo com o protesto das famílias não volte a ser divulgado.

A saúde das crianças não pode ser transformada em instrumento eleitoral. O processo foi protocolado no Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) e, no documento analisado, ainda não consta decisão sobre os novos pedidos. O espaço permanece aberto para manifestação da candidata e de sua coligação.

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